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Doença de Kienbock

A doença de Kienbock acomete um pequeno osso do punho e ocorre por comprometimento da vascularização desse osso.

O que é a doença de Kienbock?

Trata-se de uma alteração em um pequeno osso do punho, chamado semilunar, em que tal osso para de receber sangue.

Doença de Kienbock é a necrose avascular do semilunar.

Doença de Kienbock | Dra. Renata Paulos
Figura apontando o osso semilunar, acometido na doença de Kienbock.

Qual a causa da doença de Kienbock?

Embora a doença já seja estudada há mais de 100 anos, sua causa ainda é incerta. Acredita-se que é um problema multifatorial.

Pode estar relacionada a alterações vasculares primárias do semilunar e também a trauma do punho. Alguns estudos já associaram doença de Kienbock com algumas patologias como esclerodermia e Lupus, e também com o uso de corticoides.

Como fatores de risco para ter Kienbock, classicamente , costumam ser apontados:

  • Presença de ulna minus (quando a ulna é mais curta que o rádio) – diversos estudos apontaram correlação, embora também já houve estudos que não observaram essa associação.
Fatores de risco para ter Kienbock | Dra. Renata Paulos
Figura: RX com presença de ulna minus.
  • Tipo de vascularização do semilunar. Algumas pessoas podem ter um vaso único no interior do osso, aumentando a chance de comprometimento vascular.

Em quem a doença de Kienbok é mais comum?

A doença de Kienbock é mais comum em homens jovens, geralmente entre 20-40 anos, no lado dominante.

Quais os sintomas da doença de Kienbock?

Os paciente costumam ter dor no punho, diminuição da mobilidade, perda de força e inchaço.

Com o passar do tempo, a tendência é o punho ir ficando cada vez mais rígido e doloroso.

Quais exames são necessários?

Rx, ressonância e tomografia do punho costumam ser os exames mais utilizados.

RX evidenciando a doença de Kienbock | Dra. Renata Paulos
Figura: Exemplos de RX evidenciando a doença de Kienbock. Note que o semilunar aparece mais “branco”que os outros óssos, isto é um achado característico da doença. Na segunda imagem, observamos também perda da altura do semilunar.

Quais os estágios da doença de Kienbock?

A classificação mais utilizada para a doença de Kienbock é a de Lichtman. É dividida em quatro estágios e baseada nos achados radiológicos.

I. No estágio inicial, Rx pode ser normal ou mostrar uma traço de fratura. A ressonância já mostra alterações sugestivas.

II. O semilunar no Rx começa a ficar esclerótico (mais branco) e linhas de fratura as vezes podem ser vistas. O semilunar ainda mantém a altura normal dele.

III A. Neste estágio, o semilunar já colapsou (perdeu altura), mas ainda não houve alteração no posicionamento dos outros ossos do carpo.

III B. Há alteração da posição dos outros ossos (chamamos de colapso do punho). O capitato se desloca para proximal e o escafóide fica fletido (há o chamado desvio em DISI).

IV. Há presença de artrose no punho

Qual o tratamento da doença de Kienbock?

O tratamento varia de acordo com o estágio e também com a anatomia do punho do paciente. Por isso avaliação por especialista é tão importante. Um ponto fundamental que deverá ser avaliado é se há possibilidade de “recuperarmos” o semilunar ou não.

Se o semilunar for “salvável” e o paciente tiver ulna minus, podemos realizar uma cirurgia de encurtamento do rádio (esse encurtamento é muito pequeno, 2-3mm, não se percebe qualquer diferença comparando um lado com o outro!).

Outra técnica que pode ser utilizada é a “descompressão metafisária” (técnica de Illarramendi), em que uma janela óssea é feita no rádio e a parte interna do osso é curetada (“raspada”).

Para pacientes com ulna neutra ou plus e semilunar “salvável”, não há indicação para encurtar o rádio, mas podemos realizar cirurgias que melhorem o fluxo sanguíneo do semilunar.

Nos casos em que o semilunar já está muito comprometido e os ossos do punho assumiram posicionamentos anormais (“colapso do punho”), outros tipos de cirurgia devem ser realizados. São as chamadas cirurgias de “Salvação” do punho.

Entre elas, temos desde ressecção de ossos, fusão de alguns ossos ou até fusão total do punho. A melhor escolha dependerá do desgaste articular (artrose) presente no punho de cada paciente, do grau de atividade de cada um e da preferência pessoal do paciente (muitas vezes, mais de uma técnica é possível e o especialista explicará sobre cada uma).

Importante: Todo tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da Ortopedia moderna. Consulte um ortopedista especialista em mãos.

FAQ

1. O que é necrose no punho?

Necrose é, basicamente, quando uma área não recebe sangue e “morre”. Isto pode acontecer com pele, osso, músculo… Na doença de Kienbock, ocorre necrose do osso chamado semilunar. Mas necrose de outros ossos também pode acontecer no punho, como necrose do escafóide ou do capitato, por exemplo. Ossos em outras regiões do corpo também podem sofrer necrose, como a cabeça do fêmur, no quadril.

2. O que acontece se eu não tratar a doença de Kienbock?

Sem tratamento, a maior probabilidade é que o problema evolua… O semilunar pode ficar cada vez mais comprometido, mudando muito o seu formato e ficando mais curto. Assim, os outros ossos  assumem posições “erradas” para se adaptarem e o movimento entre eles torna-se não harmônico. Isso gera dor, diminuição do movimento e artrose do punho. No estágio mais avançados, movimento completo do punho pode ser perdido.

3. Doença de Kienbock pode estar relacionada ao trabalho?

Acreditou-se que a doença de Kienbock poderia estar relacionada a atividades que causavam vibração do punho por longos períodos. Entretanto há revisões sistemáticas da literatura que não conseguiram confirmar isso.
Resumindo, não conseguimos provar realmente esta associação.


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