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Dupuytren

A doença de Dupuytren é benigna, geralmente com evolução lenta e progressiva. Costuma iniciar com a formação de nódulos na palma da mão, perto da base dos dedos. Pode evoluir com o aparecimento de cordas que vão causando curvatura do dedo em direção à palma da mão, acarretando deformidade e podendo trazer grande prejuízo funcional.

O que é a contratura de Dupuytren?

Basicamente, um problema que “fecha os dedos”.

A doença de Dupuytren é uma fibromatose benigna da fascia palmar, isto é, o tecido normal da palma da mão e dedos passa a apresentar alterações patológicas.

Como consequência, os dedos podem ficar dobrados e o paciente não conseguir mais “esticá-los”.

Dupuytren | Dra. Renata Paulos
Figura: Exemplo de uma mão com contratura de Dupuytren
Figura: Simpósio exclusivo de Dupuytren, em que a Dra. Renata Paulos foi palestrante, em Paris.

Quem acomete? (Epidemiologia do Dupuytren)

O problema é mais comum em pacientes do sexo masculino e brancos. No norte da Europa, a prevalência da patologia é alta – é dito que era uma doença dos Vikings (embora estudos já observaram que não há ligação direta com os Vikings especificamente).

Foi visto também que pode haver associação com diabetes, etilismo, tabagismo, epilepsia, entre outros, mas nem todos os estudos apontam essas associações. A herança genética é o componente mais importante.

Quais os sintomas do Dupuytren / Fibromatose Palmar?

No início do problema, o paciente pode notar a presença de um nódulo na palma da mão. Com o passar do tempo, há formação de cordas, que retraem e passam a causar deformidade em flexão dos dedos, tornando impossível que os mesmos sejam completamente estendidos. Uma queixa comum é dificuldade de colocar a mão no bolso.

Os dedos podem chegar a ficar completamente dobrados, o que além de um prejuízo importante da função da mão, pode acarretar dificuldade, inclusive, para higiene local.

O quarto dedo (anelar) é o mais envolvido, seguido pelo quinto dedo (dedo mínimo).

Acometimento bilateral é comum, com um lado mais envolvido que o outro.

Conforme o problema vai evoluindo, a pele costuma ficar bem aderida, ou seja, grudada, na corda espessada que está abaixo.

Dupuytren | Dra. Renata Paulos
Fig. Exemplo de caso de Dupuytren, com grande contratura em flexão dos dedos anelar e mínimo

Pode aparecer em outros locais do corpo?

A patologia pode se manifestar em outras regiões, como na planta dos pés (problema denominado Ledderhose) e no pênis (La Peronie). Essas manifestações estão relacionadas a uma forma mais agressiva da doença e podem ser observada em pacientes mais jovens.

Na mão, além do acometimento “clássico” da palma, com formação de nódulos e cordas, também pode haver o aparecimento de nódulos no dorso da articulação interfalangeana proximal (nódulos de Garrod)

Como é feito o diagnóstico do Dupuytren?

O diagnóstico é clínico, por meio do exame físico e história do paciente.

Exames de imagem (como ultrassom, por exemplo) podem ser solicitados para documentação.

Tratamento do Dupuytren / Fibromatose Palmar: Sempre tem que operar?

Não.  Em muitos pacientes, podem existir apenas os nódulos ou cordas leves, que não causam nenhuma contratura dos dedos e não limitam a função. Em situações assim, cirurgia não deve ser realizada.

Em que estágio é recomendada a Cirurgia de Dupuytren / Fibromatose Palmar?

 O teste mais objetivo para determinar se o tratamento deve ser cirúrgico é chamado de “table top test”. Se o paciente conseguir apoiar sua mão espalmada com todos os dedos estendidos em uma mesa, não há necessidade de cirurgia; se não conseguir espalmar de forma normal a mão, o tratamento cirúrgico pode ser indicado.

Fora do Brasil, alguns países utilizam uma substância chamada colagenase, que é aplicada como uma injeção e é capaz de “desfazer” as cordas. Ainda não há aprovação do uso em nosso país.

Como é a cirurgia?

Existem diversas técnicas cirúrgicas descritas, a mais globalmente utilizada é fasciectomia seletiva. Nessa técnica, as cordas que estão causando a retração são removidas. O tecido da palma da mão (fascia) que não apresenta alteração não é abordado.

As incisões em zig-zag são preferencialmente utilizadas.

É muito importante que o tratamento seja feito por especialista. Muito próximo às cordas patológicas e algumas vezes passando no meio delas, temos nervos (que dão sensibilidade para os dedos) e artérias que estão em risco.

Após a cirurgia pode voltar?

Sim, pode haver recidiva e pode também aparecer em outros locais da mão diferentes do operado.

Mas não é toda a recidiva que precisa ser operada, já que o Dupuytren pode retornar de uma forma leve, sem causar limitação de movimento (sem alteração do table top test)

Pacientes jovens, com forma mais agressiva da doença (chamada de diátese do Dupuytren), possuem maior chance de recidiva e muitas vezes necessitam de repetidas cirurgias, podendo inclusive haver indicação de uso de enxerto de pele.

Curiosidade

Por que a doença é chamada de DUPUYTREN?

O Barão Guillaume de Dupuytren (1777-1835) foi um médico, cirurgião, que trabalhou no Hôtel-Dieu em Paris (é possível ver sua estátua no pátio do local, que fica quase ao lado da Notre-Dame). Apesar dele não ter sido nem o primeiro a descrever nem o primeiro a operar o problema, ele deu aulas a respeito, operou alguns casos, fez uma descrição mais detalhada e teve publicações em revistas médicas de renome na época. Assim seu nome passou a ser referência da patologia.

O Barão de Dupuytren também ficou conhecido por ter sido médico do Napoleão Bonaparte.

Importante: Todo tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da Ortopedia moderna. Consulte um ortopedista especialista em mãos.

Referências:
Greens Operative Hand Surgery
Michael NG et al. Is Dupuytren’s disease really a ‘disease of the Vikings. J Hand Surg Eur Vol 2020 Mar;45(3):273-279.

FAQ

1. Começou a se formar uma corda na minha mão, não é melhor tirar antes do dedo começar a fechar?

Não, a cirurgia não é indicada em casos iniciais. Ela  pode, inclusive, causar progressão mais acelerada da contratura. A exceção é a presença de sintomas atípicos, como nódulos dolorosos.

2. Como é o pós operatório?

Os pacientes não costumam ter muita dor no pós operatório. A dor costuma ser semelhante a “de um corte”.
Os pontos geralmente são retirados após duas semanas. Muitas vezes é necessário o uso de imobilização no pós operatório para manter o dedo estendido (essa imobilização pode ser feita sob medida por terapeutas de mão).

3. Minha filha tem 10 anos e o dedinho começou a dobrar, pode ser dupuytren?

O aparecimento de Dupuytren em crianças é algo bem raro. Talvez seja uma alteração chamada camptodactilia.

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