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Fratura do Escafóide

A fratura do escafóide é a segunda fratura mais comum do punho (a primeira é a do terço distal do rádio) e em relação aos pequenos ossos do punho (ossos do carpo) a fratura do escafóide é a mais frequente. Este osso merece uma atenção redobrada, pois complicações decorrentes de sua fratura são comuns.

Anatomia

Como é o escafóide? Onde fica o osso escafóide?

O escafóide é um dos pequenos ossos do punho e tem sua superfície 80% coberta de cartilagem articular. O escafóide é um osso com formato bem complexo, seu nome vem do grego “Skapho” (σκάφος) que significa barco.

Anatomia | Dra. Renata Paulos
Figura: Ossos do punho. Os pequenos ossos do punho são chamados de ossos do carpo (= carpais).

O escafóide é dividido em três porções: polo proximal, colo (que é a parte central, também chamado de cintura) e polo distal, que inclui uma proeminência chamada de tuberosidade.

Escafóide com suas regiões anatômicas | Dra. Renata Paulos
Figura: Escafóide em destaque com suas regiões anatômicas

Sua vascularização é bem peculiar, ocorre de forma retrógrada, isto é, de distal para proximal (do fim para o começo do osso).

Vascularização do Escafóide | Dra. Renata Paulos
Figura: Vascularização do escafóide. Os vasos penetram na região mais distal e chegam no polo proximal apenas por via intraóssea.

Por esse motivo, a presença de uma fratura faz com que a vascularização do polo proximal possa ser muito prejudicada.

Epidemiologia

Dos ossos do carpo, o escafóide é o mais comumente fraturado.

A fratura do escafóide é mais comum em homens jovens (média de idade de 25 anos), geralmente por queda com a mão espalmada, ocasionando hiperextensão do punho. Muitas vezes ocorre por trauma durante atividade esportiva e pode ocorrer em traumas de maior energia, como queda de moto ou queda de altura por exemplo.

Obs.: queda com a mão espalmada é mecanismo de trauma de diferentes tipos de lesão. Além da fratura do escafóide, fratura do terço distal do rádio, lesão da fibrocartilagem triangular, fratura da ulna, lesão do ligamento escafossemilunar, entre outras.

Sintomas de uma fratura do escafóide

Falaremos aqui sobre as fraturas “agudas” / recentes do escafóide (fraturas antigas que não consolidaram, conhecidas como pseudoartrose são abordadas em outro artigo).

O paciente costuma se apresentar com dor no lado radial do punho (que fica em linha com o polegar) e muitas vezes inchaço local.

Diminuição da mobilidade do punho por dor também pode ocorrer, assim como sensação de perda de força. Mas muitas vezes os pacientes referem dor não muito forte e mobilidade sem alteração.

Durante o exame físico, o médico fará testes específicos para o escafóide e realizará palpação nos pontos exatos. Através de uma avaliação cuidadosa conseguimos considerar se a fratura do escafóide faz ou não parte das hipóteses diagnósticas.

Importante destacar que com o passar dos dias essa dor tende a ir aliviando, o que muitas vezes faz com que o paciente não procure atendimento especializado! Isto pode trazer complicações e sequelas no futuro!!! Traumas no punho devem ser cuidadosamente avaliados.

Exames de imagem para diagnóstico de uma fratura do escafóide

Radiografias do punho sempre devem ser solicitadas na avaliação inicial. Há posições específicas para o RX com o intuito de permitir melhor avaliação do escafóide.

Entretanto, podem ocorrer fraturas “ocultas” em até 25% dos casos, isto é, pacientes com fratura em que o RX inicial aparece normal (e a fratura só seria bem visível no RX após aproximadamente 2 semanas).

Isso é um grande problema… pois há pacientes que procuram um pronto atendimento para avaliação inicial e dado o RX normal, ou uma imagem que tenha passado despercebida, acreditam que a dor seja apenas pela “pancada”. Fratura do escafóide não tratada corretamente pode trazer sequela importante no futuro. A avaliação especializada é fundamental.

A ressonância magnética é o melhor exame para avaliar se há fratura oculta. Quando há suspeita de fratura do escafóide no exame físico e o RX não mostra alterações, ela é solicitada pelo especialista.

Fratura do Escafóide | Dra. Renata Paulos
Figura destacando traço de fratura no colo do escafóide.

Como é o tratamento de uma fratura do escafóide?

O tratamento dependerá do tipo de fratura, se há desvio e lesões associadas.

De forma resumida: Fraturas completas do colo e fraturas do polo proximal são de tratamento cirúrgico (claro que todo caso deve ser avaliado individualmente).

Fraturas incompletas e fraturas da tuberosidade são tratadas sem cirurgia, apenas com imobilização.

Na maior parte das vezes, a cirurgia é realizada utilizando-se um parafuso que será colocado totalmente dentro do escafóide, por meio de um pequeno corte na pele.

(Isso se refere ao tratamento para fraturas agudas/recentes!! Fraturas antigas, não consolidadas, chamadas de pseudoartrose são de tratamento sempre cirúrgico e com técnicas mais complexas, que variam dependendo do desvio da fratura e grau de falha óssea e também da presença de artrose do punho/magnitude da artrose. Para saber mais sobre pseudoartrose do escafóide, clique aqui).

Parafuso utilizado para fixação
Figura: Exemplo de tipo de parafuso utilizado para fixação de fratura do escafóide.
Radioscopia | Dra. Renata Paulos
Figura: Imagem de radioscopia mostrando posicionamento do parafuso no interior do escafóide

Complicações

A não consolidação da fratura, chamada de pseudoartrose (quando o osso não colou) é a complicação mais comum e temida das fraturas do escafóide e ocorre, não só, mas principalmente, nas que não tiveram o tratamento inicial adequado.

Outra complicação é a necrose avascular do polo proximal – pelo tipo peculiar de vascularização do escafóide, as fraturas, em especial do polo proximal, fazem com que o sangue, que entra no osso pela sua parte distal, não atinja a porção proximal, já que o seu trajeto foi interrompido pela fratura. Isso faz com que uma porção do osso se torne isquêmica (fique sem receber sangue).

Importante: Todo tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da Ortopedia moderna. Consulte um ortopedista especialista em mãos.


Referências:
Greens Operative Hand Surgery


FAQ

1. Quanto tempo leva para colar o osso escafóide?

De forma geral, o tempo estimado é de aproximadamente 3 meses. Mas isso varia dependendo da localização e do tratamento empregado. O tempo tão longo de imobilização, associado a maior chance de não consolidação com o tratamento não cirúrgico, é um grande motivo para as fraturas do escafóide serem hoje em dia cada vez mais operadas

2. Como é feita a cirurgia do osso escafóide? Como é a cirurgia do escafóide?

Os procedimentos sempre são realizados em hospital, no centro cirúrgico. Para as fraturas agudas, sem desvio, técnica minimamente invasiva é utilizada. O paciente dorme durante o procedimento e por meio de uma pequena incisão, um parafuso, chamado de parafuso canulado, é inserido no escafoide, ficando 100% no interior do osso. A cirurgia é feita com auxilio de radioscopia, uma espécie de RX, para que o posicionamento ideal do parafuso seja atingido.

Uma tala gessada para o punho é colocada no fim do procedimento. Os pontos são retirados com duas semanas e uma órtese removível (feita sob medida) é indicada. É iniciada reabilitação para começar a movimentar o punho.

Atividades “pesadas” são permitidas geralmente após 3 meses ou após a confirmação de consolidação da fratura.

3. Onde está localizado o osso escafóide?

O escafóide é um osso localizado no punho, do mesmo lado do polegar.
Temos pequenos ossos no punho chamados de ossos carpais e o escafóide é um deles. Para mais detalhes clique aqui (link para a parte da anatomia no início do artigo).

4. Qual o tamanho do osso escafóide?

O escafóide é um osso pequeno. Geralmente, em um adulto, tem por volta de 2,5 cm em seu maior eixo.

5. O que é pseudoartrose do escafóide?

Pseudoartrose do escafóide é quando houve uma fratura antiga e o osso não consolidou (não colou). O tratamento inicial adequado é fundamental para diminuir a chance de evolução para pseudoartrose! É importante destacar que mesmo as taxas diminuindo muito instituindo-se tratamento correto precocemente, sempre há algum risco de pseudoartrose. Para saber mais sobre a pseudoatrose do escafóide, clique aqui.

6. Quais os riscos de uma fratura de escafóide?

Devido à vascularização peculiar do escafóide, há risco de osteonecrose após uma fratura desse osso. Quanto mais proximal for a fratura (mais perto do antebraço e mais longe do polegar), maior a chance de evoluir para pseudoartrose. Também há risco de pseudoartrose (não consolidação).

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