Para cada paciente, avalio durante a consulta, quais movimentos o paciente já tem e quais há possibilidade de recuperar.
A partir daí traçamos um plano de tratamento, individualizado, buscando o melhor resultado final para cada pessoa.
Neste texto, falaremos sobre uma cirurgia que possibilita a recuperação da extensão dos dedos nos pacientes tetraplégicos!
(Para saber mais sobre tratamento para pacientes tetraplégicos, é possível ler outros artigos do site.

Existem muitas técnicas diferentes que podem ser usadas para recuperar a extensão dos dedos?
Na realidade, para os pacientes tetraplégicos, não…
Apesar de existirem várias opções de transferências tendineas e transferências de nervo para recuperar extensão de dedos para causas diversas, quando nos referimos ao paciente lesado medular, essas opções disponíveis para outros tipos de lesão não são geralmente bem indicadas…
Para os pacientes tetraplégicos, de forma geral, quando há possibilidade de recuperar a extensão de dedos, isto é feito por meio de uma cirurgia de transferência de nervo, que conhecemos como SPIN.
(Lembramos que é essencial avaliar cada caso individualmente! Há exceções! Mas, geralmente, quando há indicação, realizamos esse procedimento.
Por que essa cirurgia que possibilita recuperação da extensão de dedos do paciente tetraplégico é chamada de SPIN?
SPIN é a abreviação em inglês… Supinator to Posterior Interosseous Nerve. Ela também é usada para pacientes com outros problemas que causaram perda da extensão de dedos (como alguns pacientes com lesão do plexo braquial – por exemplo)
Nessa cirurgia, utilizamos os ramos nervosos que inervam um músculo chamado supinador e transferimos para o nervo interósseo posterior (que não está “funcionando” mais).
O nervo interósseo posterior é responsável pela inervação dos músculos do antebraço que fazem a extensão dos dedos e a extensão/ “abertura” do polegar. Também inerva um músculo chamado extensor ulnar do carpo.
O paciente perde algum movimento com essa cirurgia?
Não! Isto é algo muito importante! Como explico para os meus pacientes: a cirurgia vem para somar!
Por isso, novamente, enfatizo o quanto é importante ser avaliado por um profissional com experiência na área!!
Ouvi dizer que depois de um ano da lesão essa cirurgia não é mais possível. É verdade?
Para o paciente tetraplégico, não é verdade!!
Essa afirmação, que geralmente é usada para pacientes com lesão de nervo periférico, não é válida para lesões centrais (como as do paciente com lesão medular).
Como saber se um paciente com tetraplegia tem indicação para essa cirurgia?
Primeiramente é necessária avaliação por alguém com experiência no tratamento dos pacientes tetraplégicos!
Por meio do exame físico, avaliamos se há função preservada do nervo doador e, caso haja, se esta cirurgia seria a que traria maior benefício considerando todo o planejamento de tratamento do paciente.
É necessário avaliar também se os extensores de dedos são estimuláveis (isto, é, se mesmo sem controle voluntário, é possível fazer com a musculatura seja ativada e os dedos “abram”).
Há vezes, então, que esta cirurgia é possível, mas poderia não ser a melhor opção para o paciente?
Sim!! Por isso que é importante passar por uma avaliação e conversar sobre todas as possibilidades!
Os resultados da cirurgia aparecem rápido?
NÃO!! Os resultados da cirurgia, assim como qualquer cirurgia de transferência de nervo, demoram para aparecer!!
Os pacientes devem ter em mente que deverão aguardar um ano.
Geralmente, observamos o movimento após seis meses e então iniciamos o fortalecimento.
O resultado da cirurgia é garantido?
NÃO! Infelizmente, nenhuma cirurgia tem resultado 100% garantido…
Transferência de nervo tem resultado menos previsível que transferência tendínea.
Costumo explicar para os pacientes que opero de forma muito minuciosa para que haja a maior chance de recuperação. Após o procedimento, a recuperação dependerá principalmente do “organismo” de cada um e também do empenho do paciente no pós-operatório.
Apesar de não ter resultado garantido, observamos que essa transferência de nervo costuma trazer mais de 90% de resultados satisfatórios para extensão dos dedos.
Há imobilização no pós-operatório?
No pós-operatório costumamos indicar uso de tipóia por duas a três semanas.
Há restrição para a fisioterapia e atividades que o paciente realiza durante o pós-operatório?
Apenas no tempo em que o paciente estiver com a tipóia.
Nesse período, o paciente não deve realizar extensão completa do cotovelo (por isso está com a tipóia) e nem força com o lado operado.
Logo após esse período, paciente pode retomar tudo que fazia durante a cirurgia e não necessita de nenhum cuidado especial com o membro superior operado.
Vídeo de paciente tetraplégico realizando extensão de dedos após a cirurgia
Para saber mais sobre cirurgias para recuperação da função da mão dos pacientes tetraplégicos, leia este artigo.
É fundamental realizar o diagnóstico correto para, assim, aplicar o tratamento mais adequado. Portanto, consulte um ortopedista especialista em mãos.



