A Tenossinovite de De Quervain causa dor intensa para movimentar o polegar e pode impedir o paciente de realizar as atividades do dia a dia. Quer saber mais sobre ela?
O que é a tenossinovite de De Quervain?
É uma tendinite que acomete alguns tendões do polegar quando eles passam pelo punho.
Olhando o punho em um corte transversal, observamos que os tendões extensores se distribuem em seis compartimentos (cada compartimento é como um túnel por onde os tendões passam).
No caso da tendinite de De Quervain, o primeiro compartimento é o acometido. (Fig1)

A tenossinovite de De Quervain acomete os tendões dos músculos extensor curto do polegar e abdutor longo do polegar. Esses tendões ficam espessados e passam a atritar com o retináculo (teto do túnel por onde eles passam), que também se apresenta espessado.

Esse problema pode acometer homens e mulheres, mas é muito mais frequente em mulheres. É muito comum no período pós parto (puerpério) e após os 50 anos.
Quais os sintomas de tenossinovite de De Quervain ?
O sintoma principal é dor intensa ao movimentar o polegar. É comum a queixa de sensação de facada na base do polegar e no punho (na região do primeiro compartimento).
A dor com frequência é incapacitante, impedindo, dessa forma, que o paciente realize suas atividades cotidianas.
Uma outra queixa comum é de mulheres na fase da amamentação dizerem que têm dificuldade de pegar o bebê por conta da dor e que têm até medo de derrubar a criança.
O atrito entre os tendões e o retináculo extensor gera dor e “inflamação” local. Além disso, pode haver sensação de travamento, pois os tendões podem não excursionar livremente como deveriam (não confundir com polegar em gatilho).
Outro sintoma que algumas vezes pode estar associado é um sensação desagradável de choque no local, devido à irritação de ramos nervosos presentes nessa região do punho e que estão em íntimo contato com o primeiro compartimento extensor.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Tendinite de De Quervain é clínico, feito através do exame físico. Ultrassonografia costuma ser o exame de imagem solicitado para documentar o problema.
Qual é o tratamento ideal?
O tratamento dependerá da avaliação feita pelo especialista, mas de forma geral, geralmente é realizada uma infiltração local. (fig3)

Com a infiltração, há melhora na maior parte dos casos. Se não houver melhora, ou houver retorno precoce dos sintomas, o tratamento cirúrgico está indicado.
Quando é feita a cirurgia, como é o pós operatório?
No pós operatório da tenossinovite de Quervain, o paciente não fica com nenhum tipo de imobilização. Apenas curativo.
O dedo pode ser movimentado normalmente, contudo o paciente não deve realizar atividades que exijam força. Os pontos são geralmente retirados após duas semanas.
Importante: Todo tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa. O Núcleo de Ortopedia Especializada possui especialistas renomados em todas as áreas da Ortopedia moderna. Consulte um ortopedista especialista em mãos.
Referências:
Green’s Operative Hand Surgery – 7th edition
https://journals.lww.com/jbjsreviews/Abstract/2016/03000/Tenosynovitis_of_the_Hand_and_Wrist__A_Critical.7.aspx http://www.sosmain.eu/data/uploads/pdf/de_quervain.pdf
FAQ
Os medicamentos utilizados para infiltração são corticoide (apenas 1 ml) e anestésico.
Não. Como é utilizado anestésico, parte da mão ficará dormente por aproximadamente duas horas. Após isso, no mesmo dia da infiltração, o paciente perceberá que os sintomas ainda não mudaram, o que é normal!
O corticoide irá fazendo efeito ao longo dos dias. Geralmente depois de três dias, a maior parte dos pacientes já teve alívio.
O procedimento é sempre realizado em ambiente hospitalar. Contudo não há necessidade de dormir no hospital. Pode ser realizado em “hospital dia”. O paciente interna, por exemplo, pela manhã, aproximadamente duas horas antes da cirurgia e tem alta à tarde.
É realizado um corte pequeno (aproximadamente 2-3cm) no punho. Os ramos dos nervos que passam na região são protegidos e após isso é feita uma incisão no retináculo extensor, garantindo-se que todo o compartimento seja aberto. Verificamos então como estão os tendões e se a excursão deles passou a ser livre.
É muito importante se atentar a possíveis variações anatômicas no momento da cirurgia. Pode existir, por exemplo, um sub-compartimento para um dos tendões (extensor curto do polegar).
Diversos outros problemas podem ocasionar dor no polegar. Uma avaliação especializada é fundamental.
Se você não caiu ou bateu a região, leia sobre rizartrose e dedo em gatilho.



