Por que o Tríceps é tão importante na tetraplegia?
O tríceps é o músculo responsável por uma importante função: a extensão do cotovelo.
Este movimento se torna ainda mais importante em pacientes que utilizam cadeira de rodas. A extensão do cotovelo permite que o paciente atinja objetos que estão mais altos que a altura da sua cabeça, ajuda para impulsionar cadeira de rodas manual, traz mais independência para a transferência da cadeira para cama (e vice-versa) além de também ser importante para o paciente conseguir se posicionar melhor (figura).

Como avaliar o tríceps? É necessário solicitar algum exame?
De forma geral, a função do tríceps é avaliada no exame físico, pedindo-se que o paciente realize a extensão do cotovelo, sem a ação da gravidade, contra a gravidade e, por fim, contra resistência.
Na maior parte das vezes não solicitamos exames adicionais.
O tratamento tem que ser com cirurgia?
Depende… cada caso é avaliado individualmente.
Dois paciente que acreditam ter tido lesões “iguais” geralmente apresentam exame físico diferente. Portanto, não pense que seu tratamento deverá obrigatoriamente ser idêntico ao que outro paciente recebeu. Por isso que ser avaliado por uma especialista na área é fundamental.
Há vezes em que o tratamento é realizado com um programa de fortalecimento específico realizado por equipe de reabilitação (terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas), outras vezes o tratamento deve ser cirúrgico.
Quais parâmetros são importantes para avaliar o tratamento que será indicado?
Tempo de lesão, nível da lesão e o mais importante: o exame físico de cada paciente, em que não só o tríceps será avaliado, mas também possíveis músculos “doadores”.
Quando o tratamento é cirúrgico, qual cirurgia é realizada?
Isto também dependerá da avaliação que foi realizada pela especialista. Existe mais de um tipo de cirurgia possível e o plano de tratamento é dado de forma individual para cada paciente, levando-se em conta o tempo decorrente da lesão, quais músculos estão fortes no exame físico e outras possíveis cirurgias que poderão beneficiar o paciente.
Quais tipos de cirurgia existem para a recuperação da extensão do cotovelo?
Basicamente, existem dois tipos de cirurgia: transferência nervosa e transferência tendínea ou muscular.
(Para uma explicação geral sobre essas técnicas, clique nos nomes acima).
Qual nervo é utilizado na cirurgia de transferência nervosa para a reinervação do tríceps?
Costumamos utilizar ramo do nervo axilar.
Quais músculos podem ser utilizados para a recuperação do tríceps nos pacientes tetraplégicos?
Geralmente utilizamos o bíceps ou a porção posterior do músculo deltoide.
A escolha entre eles é feita com base no exame físico e dependendo de outras possíveis cirurgias a que o paciente será submetido.
Algo muito importante e que merece ser destacado: O objetivo é ter ganho de movimento e função. Tais cirurgias não causam déficit para o paciente


Qual dos músculos traz o melhor resultado? Bíceps ou deltoide posterior?
Quando bem indicada, qualquer uma das duas transferências costuma trazer bons resultados. É necessário avaliar o que será melhor para cada paciente.
Quando qualquer uma delas for uma boa indicação, discutimos os detalhes específicos das técnicas para que o paciente participe também da decisão.
Quais os fatores mais importantes para um bom resultado após a cirurgia da transferência muscular para recuperação da extensão do cotovelo?
- A musculatura que será transferida (doadora) deve estar o mais forte possível. Muitas vezes é feito um programa de fortalecimento pré operatório.
- É fundamental que a cirurgia seja realizada por um profissional especialista com experiência na área.
- O acompanhamento pós operatório, com a realização da reabilitação de forma correta e disciplinada é muitíssimo importante (terapia ocupacional/fisioterapia).
O especialista que realizou a cirurgia também deve estar em contato direto com a equipe de reabilitação. Acompanhamento multidisciplinar é obrigatório.
Dra Renata Paulos acompanhou professores conceituados mundialmente no tratamento do membro superior de pacientes tetraplégicos. Está há mais de dez anos envolvida nesta área específica de sua especialidade e ministra aulas no Brasil e no exterior sobre o tema.
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